045 de sair de Porto Alegre, subo para respirar um pouco daquele ar puro. Lá se chega em doze horas de trem e mais duas e meia a cavalo. Tam- bém lá, há um pequeno inconveniente que existe em todos os lugares deste mundo: de dia, terríveis moscas que fazem pequenas bolhas do- lorosas onde mordem, e de noite os mosquitos dos quais não se pode dizer que são melhores que as moscas. No mais, quando se dorme, deita-se empeles de ovelhas, coma sela como travesseiro. E vêm passear por perto alguns ratos estranhos, com um palmo de altura e sem rabo, e sapos grandes como gatos que emitem gritos lamentosos que parecem o choro de uma criança. Mas o lugar é horrível e belíssimo – mando fotos quando as tiver feito. O rio corre entre duas paredes íngremes de algumas centenas de metros e se precipita pouco abaixo numa bela cascata de uns vinte metros de altura, da qual se ouve o rugido de uns dois quilômetros de distância. Em todas as saliências onde existe um pouco de terra, surgem plantas que, vistas de cima, parecem dançar ao encontro da parede de pedra. Por todos os lugares, pendem grossos cipós que parecem cordas, nos quais grupos de macacos se divertem fazendo ginástica. Às vezes, se reúnem numa árvore maior para fazer seu concerto. E sob a direção de um deles, que temmesmo a aparência de ummaestro de orquestra, emitem juntos um grito ensurdecedor, longo, cavernoso, que parece o barulho de uma tempestade. (AB, 12/9/1911) Voltei ontem do lugar onde nossos antepassados, que tu tens co- ragem de chamar de ‘feras’, vem me visitar. Realmente, dizer visitar é exagerar um pouco. Eles se preocupam conosco apenas para se apro-
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