046 ximar e simplesmente para comer certas frutas vermelhas e saboro- sas que se chamam pitangas e que crescem nas margens do rio. Ulti- mamente, porém, eles têm sido dispersos com os tiros que dou para o ar assim que aparecem. Os macacos, como são chamados aqui, antes vinham para se alimentar somente à noite, descendo por aquela enor- me parede íngreme. Agora parece que ficaram íntimos, aparecem a qualquer hora... A vida que se leva aqui no Pihay é de uma liberdade primitiva e este é o seu principal mérito. O casaco foi abolido, as man- gas da camisa são dobradas até os cotovelos, um par de tamancos, um chapelão na cabeça e o traje está completo. Os meus braços, que nos primeiros dias pela ação do sol ficaram vermelhos, estão agora com um belo tom de bronze, como os das pessoas aqui chamadas de bugres. Numa das fotografias poderás ver o meu palácio no Pihay: à direita, a cozinha onde está o cozinheiro que prepara nossa polenta; à esquerda, a casa do cachorro; no centro, os cavalos, o cachorro, eu e o irmão do meu sócio, que invejo porque fica permanentemente por aqui. No Pihay, nos levantamos antes do sol e tão logo levantamos, tomamos o café que o cozinheiro prepara quando ainda é noite; às oito se come a primeira polenta, seguida de outras duas: uma ao meio-dia e outra à noitinha. Uma verdadeira vida de príncipe selvagem. Um dia, para mudar o repetido cardápio cotidiano, fabriquei eu mesmo tagliatelli all’uovo com um rolo de madeira cortado na floresta espe- cialmente para a ocasião, e parece que gostaram. Depois da refeição da noite, vamos pescar no rio. E na véspera da minha partida quase pesquei uma enorme serpente com chocalhos, a qual, porém, teve a boa ideia de fugir antes que eu a pescasse, desaparecendo com seus
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