052 Tão logo o irmão Ernesto chegou a Porto Alegre, meu avô retomou seus planos de viagem para o casamento. Ainda mais com a notícia de que al- gumas máquinas necessárias para a finalização da obra ainda não tinham saído da Alemanha, ou seja, demorariam uns cinco meses para serem en- tregues. Amanhã, parto para Antônio Prado. O tempo está ruim e a pers- pectiva de uma cavalgada de oito horas embaixo da chuva é pouco animadora. Retorno em uma semana, acredito. Então, começarei os preparativos para a viagem, para a grande viagem. Não penso em ou- tra coisa. (AB, 1º/08/1913) Assim, mesmo com lembranças assustadoras da travessia da Itália ao Bra- sil realizada três anos antes, porém encorajado pela expectativa do reen- contro com os familiares, amigos e, mais ainda, com a namorada, meu avô refez o caminho de Porto Alegre a Santos, chegando a Gênova em outubro de 1913 ainda de navio, único meio de transporte disponível à época 18 . Finalmente, depois dos longos anos de separação, o casamento se realizou 18 Lembro da nonna contar quemeu avô afirmava que só voltaria para a Itália quando o cruzamen- to oceânico pudesse ser feito de avião. Mas apenas em 03 de abril de 1946, menos de um mês depois de sua morte, decolou do Rio de Janeiro um avião quadrimotor Lockheed Constelation da Panair do Brasil, inaugurando a primeira linha aérea transatlântica da aviação comercial brasileira para a Europa. Os pontos de escala eram: Recife, Dakar, Lisboa, Paris e Londres.
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