Desvenda

015 014 estímulo à produção de forma desburocratizada e também à procura de um espaço de visibilidade produtiva, do ponto de vista comercial. A situação catastrófica para os artistas naquele momento era o re- sultado de políticas desastrosas na área da cultura, quando as instâncias públicas viraram espaços pouco atraentes, pois não ofereciam meios ma- teriais para a produção e amostragem, e também foram, gradativamente, tornando-se espaços desimportantes do ponto de vista da legitimação que outrora ofereciam. O fracasso das políticas públicas para as artes com o advento do estado mínimo levou os produtores artísticos de todas as áreas aos processos de autofinanciamento e sustentabilidade construídos por meio de ações coletivas. Essas atividades e ações deram a tônica do período, conforme podemos constatar pela rica produção reflexiva e his- tórica que essas iniciativas deflagraram na academia através de trabalhos monográficos de graduação e pós-graduação. Se não havia lugares atraentes e comercialmente viáveis para esses artistas, a solução era construir esse espaço. A ação de caráter cooperati- vo tornou-se, conforme já afirmamos, um meio para suprir as carências e atender a demanda cada vez mais volumosa de artistas e produtos. Num sistema regrado pelo princípio do lucro imediato, a arte, principalmente as artes plásticas, que dependem forçosamente de meios de financiamen- to, ficam sempre num lugar remoto na fila das prioridades de estímulo e consumo. Se o Estado, que recolhe recursos para fomentar a produção e sustentar sua visibilidade e circulação deixa de cumprir o seu papel, na- turalmente isso é reflexo de uma mentalidade que considera a arte como algo da ordem da diversão e do lazer, isto é, secundário. Como as coisas estão intrinsecamente ligadas, é natural que, quando não há visibilidade os espectadores, sejam eles simples fruidores ou possíveis compradores,

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