Desvenda
BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A DESVENDA Paulo Gomes perdem de vista aquilo que é mais novo e inventivo e, como conseqüência direta, deixa de consumir. Com o seu advento a Desvenda tornou a produção contemporânea lo- cal evidente, seja pela iniciativa empreendedora de promover um sistema de venda direta, seja pela visibilidade que a proposta tomou. Visibilidade conquistada pelo arrojo e pela garra com que foi promovida e gerencia- da pelos seus organizadores. O recurso de recorrer ao correio eletrônico (e-mail) para fazer a divulgação multiplicou entre o público do meio a novidade que, naturalmente, tornou o evento uma notícia irrecusável para a mídia, dada a facilidade e rapidez de multiplicação que os meios eletrô- nicos possibilitam. Outro aspecto notável foi o de promover a venda sem discriminar artistas por gêneros ou filiações conceituais, tão somente de- fendendo a questão da qualidade como principal característica a ser con- siderada. É evidente a complexidade desse tópico, pois definir qualidade é, por princípio, algo intrincado e que tem boa parte de sua ação na ordem da subjetividade, mas, se não sabemos como os organizadores o fizeram, isso não é relevante, visto que o evento progrediu e frutificou. Mesmo tendo como objetivo a intenção declarada de oferecer ao público obras de arte com preços acessíveis, a Desvenda fez bem mais do que isso. Ela tornou visível, em uma escala até então ignorada, a potência da capaci- dade organizativa dos artistas. Se isso parece irrelevante no momento atual, precisamos considerar que naquele momento os artistas ainda dependiam majoritariamente do sistema das artes tradicional, isto é, museus, casas de culturas, galerias públicas e galerias comerciais. Enfatizo o momento pois vivíamos ainda na ressaca de outros tempos nos quais havia, mesmo que mínimo, um real sistema público de fomento à produção (mesmo que ri- gorosamente falando não dispuséssemos de recursos financeiros diretos). Se nessa remota época as instituições ofereciam o mínimo necessário a uma boa exposição, como salas adequadas, equipes de apoio, divulgação, elas ofereciam a mais valia da importante legitimação institucional. Se no momento atual isso tudo parece muito remoto e irrelevante, isso se deve ao fato de que o atual sistema público para as artes, se é que podemos considerá-lo ainda um sistema, se limita a atender suas insondáveis neces-
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