Desvenda

MAICYRA LEÃO Performer, professora do Núcleo de Teatro da Universidade Federal de Sergipe Conheci Desvenda, em 2011, primeiro, durante a seleção de projetos para o Fora do Eixo vol.3; segundo, ao vivo, no Museu Nacional da República, em Brasília. A identificação mais imediata foi justamente com a questão do estar junto. Fazia sentido, naquele momento, considerar uma feira de arte, em formato de exposição, que propunha e ao mesmo tempo ques- tionava a venda, o mercado, o circuito, e cujo princípio interno era o de agregar e dispor em coletivo. Sendo o Fora do Eixo um evento que, justamente, dialogava com tantos outros com relação às questões da arte no/para/com o espaço público, e inevitavelmente tangenciavam a ideia de coletivo, Desvenda materializa- va um formato no qual a própria curadoria (ou não-curadoria) se transfor- mava num discurso crítico sobre diversidade, heterogeneidade, horizonta- lidade e arte. Colocar junto, expor, e articular vendas possíveis, acessíveis a qualquer interessado, mesmo dentro de um espaço ostentoso como o Museu da República, foi um ato simples, mas ao mesmo tempo carregado de dimensão simbólica, histórica e política. Nesse sentido, sua atitude enquanto formato, estava em sintonia com um movimento que ocorria no país, naquele momento: a proliferação dos Cole- tivos Artísticos, surgidos de forma mais vigorosa em meados dos anos 1990. “É no meio desse interesse crescente em questionar os parâmetros que regem a vida urbana, bem como introduzir novos atos estéticos nesse es- paço, que começam a surgir diversas formações coletivas” (2005:1), afirma Ricardo Rosas 1 , um dos principais pesquisadores e articuladores de Coleti- vos do país, na época. Discussões sobre Arte Pública permeavam a atuação desses Coletivos, que, em sua maioria, passaram a agir na rua não apenas por ser uma opção de pauta, ou seja, por não depender de agendamento ou vontade de espaços institucionais, mas para provocar o deslocamento Desvenda fora de seu eixo

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