Desvenda

Desvenda fora de seu eixo Maicyra Leão Como decorrência da escolha pela Intervenção Urbana, como Rosas aponta, a noção de participatividade e relacionamento contextual eram acionados, a partir da interação direta com interlocutores do espaço públi- co. Esse sentido relacional, resguarda valores mais abrangentes relativos à própria constituição social contemporânea, em rede, e novamente vai de encontro à forma como Desvenda viabilizava a visualização de suas obras de arte: sem um crivo exato sobre quem é ou poderia ser artista ou qual o currículo ou qualificação necessários para participar de uma exposição- feira de arte. Todos estavam ali juntos, do mais experiente àquele que nunca se imaginou ali, sem identificação de nomes junto às obras, para evitar qualquer mediação que não fosse o contato direto com a obra. O único rigor que regia as obras era a composição delas no espaço, pensado de forma a gerar uma outra obra-conjunto. Ainda, Desvenda exemplifica bem um tópico da teoria do crítico francês Nicolas Bourriaud acerca de uma Estética Relacional. Ao tratar da urbani- zação crescente e sua influência nas relações subjetivas, o autor conclui que os intercâmbios sociais e a mobilidade dos indivíduos passam a ser estimulados e estimulantes da tecnologia empregada no cotidiano. O es- paço de habitação, automóveis, telefonia e mídias parecem diminuir de dimensão física, ocupando menos volume e com menor peso, fazendo com que as condições de deslocamento e armazenamento interfiram no forma- to aristocrático das obras. Mobilidade passa a ser prioridade nesse âmbito urbano, acelerado, e as questões do provisório e efêmero são incorporadas como insurgências poéticas das obras. Em Desvenda, por exemplo, as obras selecionadas bus- cavam uma ancoragem com o local de sua realização, ou seja, a maior parte de seus participantes eram contactados especificamente a partir da cidade de sua realização. Com isso, evitava-se portanto um deslocamento de obras, de uma exposição para outra, minimizando o transporte de tra- balhos fixos. Também de acordo com Bourriaud, assistimos em fins do século XX a uma experimentação voltada para uma investigação de formas de inclu- são e de convivência, quando a participação estabelecia um fator de so-

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