Desvenda
Durante o período de julho a dezembro de 2009, o GIA (Grupo de In- terferência Ambiental) 1 ocupou um casarão no famoso centro histórico baiano, o Pelourinho, mais especificamente o número 46 da Rua das La- ranjeiras. Lá, o grupo construiu o seu QG 2 , lugar que abarca as mais di- versas propostas artísticas, como o coletivo gosta de chamar: um espaço de encontro, pensamento e ação . Nesse espaço híbrido e multifacetado, os trabalhos do GIA ficam à disposição do público visitante, que pode entrar em contato com todo tipo de documentação e registros das ações do grupo (vídeos, fotografias, registros e resquícios de intervenções etc.). Dessa forma, o QG foi uma solução encontrada pelo grupo de expandir e democratizar seu acervo 3 , sendo que o público também é convidado a interagir com o espaço e propor novas experiências coletivas, tornan- do-se, então, um propositor ativo, abandonando uma possível condição de mera observação/contemplação; trata-se, portanto, de um espaço em constante processo de construção. Essa questão da participação como cerne do trabalho artístico é fun- damental para as ações de muitos coletivos contemporâneos. Tais ações contemplam o que Hélio Oiticica chamou de proposição criativa vivencial : são propostas que tentam envolver participadores em vivências que ad- quiram algum significado em seu cotidiano, e que apenas fazem sentido em uma esfera colaborativa, e, portanto, ético-política. Nas palavras do próprio Oiticica: A participação do espectador é fundamental aqui, é o princípio do que se poderia chamar de “proposições para criação”, que culmina no que chamei de anti-arte. Não se trata mais de impor um acervo de ideias e estruturas acabadas ao espectador, mas de procurar pela descentra- lização da “arte”, pelo deslocamento do que se designa como arte, do QG do GIA e Desvenda: sobre propositores, encontros e afetos Ludmila Britto Artista visual, integrante do coletivo GIA, professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia
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