Desvenda
023 022 jeto e de difícil execução, mas que por cinco anos vem sendo realizado pelo artista. Certamente, penso eu, teve a cada edição, uma mala a mais e outra mala, nas quais coubesse o maior número de obras. O valor simbólico da ação, na época em que participou do Salão de Abril fez com que a proposta fosse unanimemente aprovada. O tal devir se concretizava ali, quem iria, por meio da “Desvenda” participar do Salão de Abril não dizia mais respeito a comissão de seleção, ela transferia, a partir daquele momento, o poder ao artista de in- serir quantos fossem e desejassem participar do projeto, necessitando apenas seguir as poucas regras estabelecidas por Rodrigo. A “Desvenda” aconteceu no 61º Salão de Abril, no ano de 2010, em dois lugares na cidade de Fortaleza, Mercado dos Pinhões e Galeria Antônio Bandeira. O sucesso foi certo, a proposta ousada, o conceito de colabora- ção em rede, de intercâmbios, de deslocamento e distribuição espacial das obras foi, é e tem sido os pontos fortes, na minha opinião, deste projeto. Uma ação com profundas raízes e possibilidades, uma forma inteligente de pensar o mercado e sistema de arte, de discutir e lançar reflexões sobre tais valores antes inabaláveis e hoje, na era de informatização e globali- zação, absolutamente questionáveis. O artista se faz independente, exibe sua obra para o mundo por meio de mecanismos virtuais, as redes sociais constituem uma nova força que dá também ao artista a possibilidade que criar um caminho diferente do já caquético e cansado estabelecido pelas instituições e galerias. “Desvenda” se antecipa, foi na contramão da his- tória, e hoje é um projeto absolutamente atual e pertinente. Na linha do compreensível, qualquer artista que deseje ter voz transforma todo sonho em mala e viaja, itinerante, tal qual um caixeiro-viajante, mundo à fora, distribuindo sonhos e aprendendo a dura missão de ser livre. _
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