educaSesc#4
EDUCA SESC 18 2020 Essa imposição de distanciamento foi um fator agravante para o processo de implantação da metodologia de projetos prevista para o curso. Fez surgir, ainda, a necessidade de reinventarmos a sala de aula, de sairmos de um ambiente físico projetado minuciosamente para o desenvolvimento da proposta metodológica do curso e para a construção de conhecimentos articulados e contextualizados, e começarmos a habitar unicamente uma sala de aula virtual, entendendo-a como “escola”. Diante desse desafio, na próxima seção, descrevemos como a metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos – ABP tem funcionado no projeto-piloto e destacamos também como, mesmo com o distanciamento social, pode ser observada a construção e o desenvolvimento de conhecimento de forma coletiva, contextualizada, articulada e eficaz. APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS - ABP A Aprendizagem Baseada em Projetos fornece um treinamento para sobrevivência no século XXI. Ela oferece aos estudantes a oportunidade de aprender a trabalhar em grupo e realizar tarefas comuns. Exige que os estudantes monitorem seu próprio desempenho e suas contribuições ao grupo. Ela força os estudantes a confrontar problemas inesperados e descobrir como resolvê-los, além de oferecer aos estudantes tempo para se aprofundar em um assunto e ensinar aos outros o que aprenderam. (MARKHAM; LARMER; RAVITZ, 2008, p. 7, grifos nossos). Para a formação de jovens no século XXI e em consonância com as competências e habilidades do seu tempo, a ABP nos auxilia com a inserção de uma dinâmica ativa e envolvente em sala de aula. Os projetos são o fio condutor da ação docente no curso apresentado. Essa metodologia possibilita que os estudantes desenvolvam a autonomia em seu processo de aprendizagem, com uma preparação maior para a vida em sociedade e para o mundo do trabalho. De acordo com Markhan, Larmer e Ravitz, no século XXI, ter o conhecimento já seria insuficiente: Em todos os níveis hierárquicos de trabalho, os profissionais precisam ser capazes de aplicar seu conhecimento, resolver problemas, planejar, monitorar e avaliar seu desempenho e comunicar suas ideias a públicos variados. (MARKHAM; LARMER; RAVITZ, 2008, p. 7). A metodologia é pensada a partir de um horário semanal conjunto de planejamento entre os professores, especialmente dedicado a esse fim. De acordo com a observação dos interesses dos estudantes em consonância com o currículo escolar, os professores desenvolvem as propostas iniciais de atividades e pesquisas e apresentam aos alunos, ouvindo suas sugestões. O cuidado principal com o planejamento é o de que as atividades e pesquisas que compõem o projeto sejam interessantes e que façam sentido com o problema investigado. Trabalhar com a Aprendizagem baseada em Projetos pressupõe trabalhar com os outros, construir conhecimentos e artefatos no coletivo da sala de aula. Mas e quando a sala de aula se torna virtual e o coletivo se torna menos acessível, já que todos estão em casa, atrás de computadores, comunicando-se por câmeras e microfones? Pensando nisso, e conscientes de que ambas as turmas continuariam a desenvolver seus projetos, percebeu-se a necessidade de aprender a trabalhar com novas ferramentas e a perceber as potencialidades que esse trabalho remoto traz. É o caso do desenvolvimento da Revista Digital, projeto construído por alunos e professores de uma das escolas do projeto- piloto. A revista que teve como tema “O Novo Normal”foi construída pelos alunos desde sua programação enquanto página de internet, e integra os componentes curriculares da BNCC com o curso técnico. O projeto envolveu ainda reportagens que contemplavam assuntos trabalhados em Ciências da Natureza, Linguagens, Itinerário Formativo, Ciências Humanas e Sociais e as matérias contaram com gráficos de análise de dados construídos nas aulas de Matemática. A interface da revista pode ser observada na figura 1. Para o desenvolvimento das aprendizagens, professores e alunos contaram com muitas ferramentas digitais que possibilitaram a construção coletiva de conhecimento, como veremos na seção seguinte. O CONHECIMENTO QUE SE CONSTRÓI NO COLETIVO E AS FERRAMENTAS DIGITAIS A escola tem uma dimensão coletiva inegável. Constitui-se em um espaço de contato e de troca com os diferentes e, assim, potencializa a aprendizagem. Diversos autores têm destacado o caráter coletivo da educação, da partilha de informações e de saberes e da construção de relação com o outro (FREIRE, 1996; MASSCHELEIN, SIMONS, 2014; LARROSA, 2017). O caráter coletivo da escola, porém, não esmaece a necessidade de considerar a individualidade dos estudantes e a personalização da aprendizagem. Biesta destaca que “é na e pela maneira como respondemos ao outro, à outridade do outro, ao que é estranho e diferente de nós – e responder significa ser responsivo e assumir responsabilidade – que vimos ao mundo como seres únicos e singulares”. (BIESTA, 2013, p. 99). Com esse entendimento, a Aprendizagem baseada em Projetos traz para a escola essa dimensão do coletivo e da construção de conhecimento com o outro. É nesse sentido que compreendemos a sala de aula como ambiente que deve propiciar essa interação. Com a necessidade de adaptação às salas de aula virtuais, foi necessário refletirmos sobre como a construção coletiva se daria com os indivíduos geograficamente separados, cada um em sua casa. Para essa construção surgiu a necessidade de exploração de novas ferramentas digitais que possibilitassem a comunicação. Em resposta a essa demanda, os professores do projeto-piloto encontraram soluções nas seguintes ferramentas, dentre outras: Ferramenta de gerenciamento de projetos - Trello: auxiliou na identificação de tarefas e permite classificá-las em três etapas: fazer, fazendo e feita. Possibilitou ainda que os estudantes pudessem relacionar itens que tenham sido empecilhos em seu processo de construção. No caso da construção da Revista Digital, citada anteriormente, a ferramenta foi utilizada para organização
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