educaSesc#4

EDUCA SESC 44 2020 fortalece as habilidades de imaginação, ludicidade e criatividade, bastante caras à sociedade contemporânea. Logo, prevendo os processos de criação e intervenção artística, iniciou-se uma série de diálogos e experimentações junto aos colaboradores do Sesc e participantes do Programa Sesc Maturidade Ativa (PSMA) com o intuito de instigá-los a revisitarem os patrimônios históricos, símbolos e demais elementos que compõem suas cidades. O Projeto Artistando pela Cidade ressignificou os processos criativos realizados pelos grupos do PSMA de forma interdisciplinar, incentivando a autoria e o protagonismo dos sujeitos durante suas vivências artísticas pelos diferentes espaços da cidade. Desta forma, deseja-se continuar instigando a atuação e o protagonismo social nos diferentes espaços das cidades, promovendo ações de educação e sensibilização para a preservação do patrimônio histórico-cultural. O fazer artístico foi pensado através da elaboração de oficinas, palestras e bate-papos formativos, compartilhamento de processos com o desejo de que as cidades pudessem se valer de práticas multidisciplinares, como costuras, bordados, teatro, literatura, cinema, artes visuais, dança e música, reaproximando as aprendizagens das artes e do artesanato, por ora distantes. DEMOCRATIZAÇÃO DA ARTE E ESPIRAL CULTURAL Sabe-se que desde as pinturas rupestres até os grafites atuais—que fazem dos muros das cidades suas telas—, e dos bardos aos slammers, o ser humano sempre necessitou expressar-se a partir da arte, infinita em sua linguagem. Sendo assim, seja da pré-história ou da Europa antiga até os dias de hoje, a arte sempre teve como uma das suas principais funções dimensionar o interno e o externo daquele que discursa dentro de uma estrutura social. Para Fairclough os discursos revelam as regras da metrópole: O discurso contribui para a constituição de todas as dimensões da estrutura social que, direta ou indiretamente, o moldam e o restringem: suas próprias normas e convenções, como também relações, identidades e instituições que lhe são subjacentes. O discurso é uma prática, não apenas de representação do mundo, mas de significação do mundo, constituindo e construindo o mundo em significado. (2001, p.91) A partir das palavras de Fairclough, calar aquele que discursa é também deixar de construir a significação do mundo, deixar de contar a cultura e de “ser”cultura, pois o fazer artístico é a cultura na prática. Para Maria Filomena Capucho (2006) cultura é, simultaneamente, uma herança social e a construção de um pensamento individual, resultado de aprendizagem (experiencial, na maioria dos casos), que corresponde ao conjunto de representações que os grupos sociais constroem sobre o mundo. Visto isso, qualquer impedimento para o discurso considera-se cortar e/ou interromper uma espiral cultural. Ainda sobre as definições de cultura, Capucho menciona Kluckohm em Sobre línguas e culturas: Na literatura atual, as definições abundam, provinda de campos epistemológicos mais ou menos próximos, como a antropologia, a etnometodologia, a linguística ou a psicologia social. Partiremos de uma simples definição de Kluckohm (1959) segundo o qual cultura é uma forma de pensar, de sentir e acreditar (...) (CAPUCHO, 2006, p.1). Vê-se que a definição de Kluckohm é sedimentada em três períodos: passado, presente e futuro. Passado quando diz ser a cultura uma forma de pensar, já que o pensamento, na maioria dos casos, é consequência de tudo o que se sucedeu: experiências, acontecimentos históricos, crenças; [...] a arte é um fazer organizado por um“[...] conjunto de atos pelas quais se muda a forma, se transforma a matéria oferecida pela natureza e pela cultura. Dançando a Tradição  ©Felipe Granville

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