educaSesc#4

45 EDUCA SESC 2020 presente quando menciona“sentir”, já que é aquilo que está sendo vivenciado; futuro quando se refere ao acreditar, o que, intuitivamente, nos remete a pensar em um tempo à frente do nosso, criando hipóteses sobre como será e como seremos. Stuart Hall (2005) em A identidade cultural da pós- modernidade aborda a transformação do sujeito e a fragmentação do indivíduo moderno. Para isso, divide sua identidade em três concepções: sujeito do iluminismo, totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão (contínuo e idêntico); sujeito sociológico, sendo aquele que se relacionava com a sociedade e que o núcleo interior não era autônomo ou autossuficiente, mas formado na relação com“outras pessoas importantes para ele”, ou seja, uma identidade formada pela interação entre o eu e a sociedade; e, por fim, o sujeito pós-moderno, com uma identidade fragmentada, não sendo mais fixa, essencial ou permanente. Portanto, o que vivemos hoje é a pós-modernidade e para que nossa espiral cultural se mantenha em construção deve adaptar-se a esse novo pensamento e, ao mesmo tempo, proteger-se e atacar. Atacar significa também democratizar a arte já que, como bem diz Foucault (1984), estamos submetidos a uma constante regulação e disciplina. Portanto, se há uma regulação institucional, há também uma mediação, uma fronteira para a prática do discurso social. No entanto, para que a constante construção da espiral cultural se fortaleça, a intervenção urbana e a democratização da arte devem andar juntas, já que a cidade se constitui como um dos principais espaços do fazer artístico. Logo, a observação do“eu” e a cidade como objeto que se transforma e“me” transforma, aliado à proposta do projeto Artistando pela Cidade, vê-se o participante como personagem/ autor. Para Sandra J. Pesavento, o escritor, ao olhar a cidade, cria a cidade do pensamento, traduzida em palavras e imagens; e, sendo o olhar aquele que qualifica o mundo, a partir da narrativa literária ordena-se o real e a ele é conferido um valor, portanto o que se exerce é uma espécie de “pedagogia da imaginação”(PESAVENTO, 2002, p. 10). A partir disso, entende-se que o escritor/criador é aquele que vê com os olhos das suas personagens, colocando-se no lugar dessas, mas também aquele que expressa sua visão a partir da sua criação. PERCURSOS ELABORADOS Trata-se de um relato de experiência vivenciado pelos participantes do PSMA do Sesc/RS intitulado Artistando pela Cidade, realizado em duas etapas distintas com o compartilhamento das práticas de repertórios e histórias que mobilizavam a cultura das comunidades. Os grupos registraram as ações por meio de fotografias e textos. O ARTISTAR PELA CIDADE COMO UM LUGAR DE INVENÇÃO Ao apresentar o desafio de “artistar” (CORAZZA, 2006) pela cidade os participantes foram convidados a criar um novo modo de falar de suas cidades e, por conseguinte, falarem de si. Para colaborar de forma mais próxima e celebrar as histórias locais, eles desenvolveram diversas ações criativas, sendo as habilidades artísticas um eixo de atuação importante. Para Bosi (2000, p.13) a arte é um fazer organizado por um“[...] conjunto de atos pelas quais se muda a forma, se transforma a matéria oferecida pela natureza e pela cultura. Nesse sentido, qualquer atividade humana, desde que conduzida regularmente a um fim, pode-se chamar artística”. Entendendo a arte enquanto um fazer que deriva da ação humana, buscou- se pelo campo da arte-educação (BARBOSA, 2012; SILVA, 2015) organizar uma sequência de possibilidades pelas quais cada grupo pudesse conduzir seus estudos e experimentações com as artes, considerando seus desejos e vocações. De acordo com Silva (2015, p. 25), a arte- maneira regional (nas próprias cidades) e estadual (em evento institucional). Apesar de traçar alguns pontos em comum entre as cidades, este projeto não se destinou em um único modo de realização, haja visto o universo complexo com grande número de cidades e pessoas envolvidas. Logo, no desejo de respeitar o percurso e o ritmo de cada um, consideramos a metodologia da Cartografia (PASSOS, KASTRUP e ESCÓSSIA, 2015) como forma de atender as demandas do projeto, contribuindo para que a pluralidade de olhares e desejos fossem consideradas e respeitadas em ambas etapas. Na cartografia os participantes estiveram mergulhados na experiência com o coletivo e, a partir das relações estabelecidas também no percurso individual, atitudes foram consideradas para remodelar e reorganizar as vivências de acordo com os acontecimentos e desejos que surgiam pela prática. Não havia conhecimento mais ou menos importante, pois todas as participações agregaram novos saberes, expressados pela potência criativa que emanou do contato, das improvisações e das composições elaboradas pelos grupos. O processo envolveu estudos e pesquisas sobre a realidade local, conhecer os União das cores - forças  ©Luiza Zen Petersen, Porto Alegre, Centro Histórico

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