Catálogo Bienal Fibra 2025

CATÁLOGO FIBRA . II BIENAL DE ARTE TÊXTIL CONTEMPORÂNEA. 2025 12 Isabel Castro Artista visual e professora. Doutora em Comunicação pela PUCRS; Mestre em Artes pela USP; e Graduada em Artes pela UFRGS. Autora de “Estética da Aproximação: uma análise de imagens em três minisséries de Luiz Fernando Carvalho”. Appris Editora, 2020. Tecer, coser, bordar, emaranhar, trançar, tricotar, aplicar, desfiar são algumas ações que constituem o têxtil que nos fascinam des- de sempre. É a profunda ligação da mente com o corpo. É tido como um trabalho “feminino”; podendo usar elementos naturais ou não. Isso era tudo que eu sabia sobre o têxtil até ser convidada para fazer parte do júri da FIBRA – II Bienal de Arte Têxtil Con- temporânea. Assim, foi um impacto, ao ver as propostas na seleção, e mais ainda, quando a exposição foi inaugurada; a arte contemporânea alargou seu território de uma forma espetacular! Essa mostra possibilita ver obras para perceber a profundidade de conceitos num campo como o têxtil ainda encarado como um simples “ar- tesanato”. Não coloquei – feminino e artesanato – entre aspas por acaso, porque estamos vivenciando transições importantes do signifi- cado desses termos, desde o século passado. O Feminismo trouxe uma consciência múltipla dos papeis sociais da mulher, e consequentemente, do homem. Barreiras como coisa de mulheres e coisa de homens foram se fragilizando e fortale- cendo a arte contemporânea que tem acolhido o artesanato e lhe dado outro status. Na FIBRA – II Bienal de Arte Têxtil Contemporânea com o tema “Consumo Consciente: sensibilização para transformar o com- portamento coletivo”, foram exibidas 53 obras têxteis que evi- denciassem questões sobre preservação e de transformação de conceitos em atitudes. Além disso, palestras, Tecendo Conver- sas e oficinas que proporcionaram o convívio entre os partici- pantes, a troca com os convidados e a capacitação do público em geral. Não esquecendo o Bazar Fibra, que estimulou a formação e reflexão sobre economia criativa. Um dos caminhos para o espectador ao se deparar com arte é que ele tente reconstituir o percurso da construção da peça, e essa operação, envolve dois momentos: um é o de quem faz e o outro é de quem vê a obra pronta. Do ponto de vista de quem faz, no têxtil isso é evidente dada a sua manualidade e concretude. Essa operação de apelo sensível e corporal remete a um conhecimento do mundo visceral. Mente e corpo alinhados e presentes, o tempo é elástico no fazer artístico como sugere o psicólogo Mihaly Csi- kszentmihalyi, com o termo Flow. Esse estado de suspensão do tempo, concentração e foco, o autor considera a felicidade. Do nó ao tecido

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=