0103 Na madrugada caiu uma chuva bem forte, chegou a entrar água no chão interno do nosso quarto. Não sei bem como funciona essa questão no Líbano, mas no Egito quase nunca chove, entretanto, quando isso acontece dizem ser chuvas torrenciais. Lembro de ter comentado que no nosso prédio do Cairo não tinha nem teto nos corredores, apenas nos apartamentos. A verdade é que nessa noi- te não foi um dilúvio, mas caiu água com vontade. Lembro, tam- bém, de acordar com dúvida se realmente daria para realizar a atividade de pintura no dia seguinte. Dia de Pintura Diferente do imaginado na noite anterior, a manhã seguinte foi de sol. Acordamos, comemos algo, saímos bem cedo para aproveitar o dia ensolarado. Chegando à escola, já estavam todos ansiosos nos esperando. Pelo fato de o campo ser muito carente de atividades artísticas, havia uma grande expectativa, tanto de moradores(as), quanto por parte de alunos(as) e professores(as). As ruas de chão batido estavam bastante enlameadas e cheias de poças, por causa da forte chuva da noite anterior, entretanto, o muro estava razoavelmente seco, ótimo para receber umas cama- das de tinta. Meu pé estava quase bom, mas ainda tinha suas limi- tações, seguindo caminhadas apenas com muletas. Agora, nessa circunstância, precisaria subir em escadas, o que eu faria com o máximo de cuidado para não voltar a danificar meus tendões ou músculos lesionados. Tive muitos ajudantes para segurar escadas, me alcançar mate- riais, assim como para pintar partes onde eu teria dificuldade. To- dos fazendo com maior empenho. Para eles era uma ação e tanto estar recebendo manifestações artísticas em um lugar bastante abandonado pelo poder público. Aquilo trazia aos palestinos re-
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