0104 fugiados uma espécie de sentimento de valorização. Tenho a re- cordação de todos estaremmuito contentes, sendo extremamente atenciosos quanto às nossas necessidades: água, comida, escadas, materiais, auxílio na pintura. O primo apresentado na nossa chegada era bem jovem, de uma simpatia sem tamanho. Acompanhou a gente em tudo, nos levan- do à loja de tintas ou lugares onde precisássemos. Ele tinha os ca- ninos meio acavalados, estava sempre com sorriso no rosto. Era de um carisma bastante natural. Fomos ao muro da escola onde seria pintado, mas estava super deteriorado, com tijolos à vista sem reboco, muitos furos de bala, arames farpados na parte superior da parede e a parte de baixo destruída pela maçante passagem dos anos. Depois fomos desco- brir que as marcas de tiros eram de um conflito ocorrido um tem- po antes da nossa chegada, como comentei anteriormente. Começamos pintando todo o fundo de uma cor amarelada, a tinta que conseguimos em maior quantidade. Distribuímos os rolos e pincéis para a molecada, colocamos tinta nas bandejas, deixan- do pintarem à vontade. Até as professoras decidiram dar uma brincada, mas grande parte da enorme parede foi pintada pelas crianças. Não demoroumuito, por ter umas dez ou quinze pessoas nessa função. Em umas quatro horas já se encontrava o mural in- teiro tingido na cor de base. Paramos umpouco para deixar a tinta secar. Nos deram uns lanches nesse intervalo, depois seguiríamos com o desenvolvimento do desenho. Ao lado esquerdo da porta de entrada do colégio, tinha uma pare- de menor, de uns três metros de largura por uns quatro de altura. Nesse local dei uma oficina para alunos(as), para depois terem li- berdade de fazer o que quisessem. Voltei à pintura e comecei a fazer o cenário, com árvores resseca- das de plano de fundo. Essas árvores ressecadas davamuma noção
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