013 Introdução A iniciativa de escrever este livro se deu alguns anos depois dos acontecimentos aqui narrados. Fiz poucas anotações informati- vas na minha agenda, mas todos os relatos escritos foram feitos revisitando o acervo da memória. É incrível esse poder da escrita que te possibilita lembrar de momentos do passado e quando rela- tados se tornam tão vívidos como quando acontecidos no presen- te. E digo com ênfase, a escrita, não a fala, por ser uma forma mais íntima, permitindo aprofundar mais toda a narrativa, sem preci- sar da performance e das soluções rápidas da declaração falada. Alémdisso, grande parte das referências históricas aqui utilizadas para contextualizar, eu descobri viajando. Outras, são resultados de algum trabalho de pesquisa, para acrescentar novas citações ou confirmar a autenticidade de algumas informações. Importante dizer que houve duas sementes que me fizeram de- cidir com convicção contar todas essas histórias: O livro autobio- gráfico da amiga jornalista Lelei Teixeira “E fomos ser gauche na vida” e o livro que Andressa Brzezinski me deu, “Infiel – a história de uma mulher que desafiou o Islã”, de Ayaan Hirsi Ali. Escrever algo tão extenso exige uma dedicação quase integral, não sendo nada fácil nos dias de hoje. As contas não param de chegar, o tempo corre como um louco e a escolha de adiar ou recusar tra- balhos pode ser comprometedora. Atualmente, com a velocidade da internet e o ímã dos algoritmos, muita gente não consegue mais ter concentração para ler um livro completo, que dirá escrever um. Quase tudo se tornou muito pragmático, exigindo resultados objetivos a curto prazo. Trabalhar como autônomo seria uma óti- ma saída para fugir um pouco desse caos frenético, porém, muitas vezes, é quase a mesma corrida pela sobrevivência na selvageria da cidade. Portanto, encontrar uma brecha para realizar esses es- critos durante a pandemia foi, para mim, quase um oásis.

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