014 Ao redigir essas páginas, voltei a caminhar pelas ruas por onde an- dei, revi pessoas que conheci, tive recordações sonoras e olfativas, senti novamente os prazeres e angústias desse capítulo da minha trajetória. Não irei definir com precisão o que ocorreu para poder manter a curiosidade dos(as) leitores(as), mas posso antecipar que foi uma experiência bastante peculiar, daquelas que fazem uma grande re- forma nos trilhos. A construção que tenho de viver em sociedade vem de crenças ocidentais, portanto, no momento que desviamos desse eixo central, os horizontes se abrem para novos estímulos ja- mais antes concebidos. Já fazia esse exercício de sair do pré-esta- belecido através da arte. Só que fazer isso com de vivências reais é de umvalor inestimável, ficandomarcado como uma fotografia em minha lembrança. Fica difícil não revelar agora ser de uma viagem que estou falan- do. Viagem por lugares que nunca imaginei ser possível percor- rer. E quando falo dessa maneira, não digo pensando como um turista, que passa duas semanas indo do hotel a lugares turísticos e depois retorna a sua casa. Isso, com certeza, seria possível fazer com alguns meses de economia. Digo passar um período longo em uma região, conhecendo a cultura, as cidades e as pessoas locais. A Europa está bem mais próxima do universo do Oriente, por ser uma grande capital do mundo, assim como também pela questão de receber muitos imigrantes. Entretanto, aqui na América, salvo documentários e livros, estamos completamente distantes dessa realidade. Sendo assim, meu imaginário estava longe de algum dia ter um contato mais íntimo, não turístico, com questões ára- bes, muçulmanas e hinduístas. Mas os anos às vezes nos trazem surpresas e esse é o grande charme da vida. Semmais delongas, tento aqui deixar algo autêntico, feito através da subjetividade de minhas palavras, que passarão por uma mu- dança de acordo coma passagemdo tempo e as percepções dos(as)
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