112 Quando comecei a redigir as primeiras palavras sobre minha che- gada em Beirute, pensei em falar sobre a Guerra Civil do Líbano, mas não o fiz. Durante o processo de escrita desse livro precisei, diversas vezes, voltar em algo já escrito para acrescentar, editar. Mais difícil do que botar em prática a narrativa, foi concertar as que já tinham sido feitas. Na maioria dessas situações fiquei mui- tas horas quebrando a cabeça até conseguir encaixar tudo da me- lhor maneira. Portanto, para não perder o embalo, decidi falar so- bre esse assunto agora. Talvez não fique tão bem contextualizado, mas é por uma boa causa. A Guerra Civil do Líbano aconteceu entre o período de 1975 e 1990. Teve diversos fatores que fizerameclodir, mas umdeles foi a criação do Estado de Israel e a migração de palestinos refugiados. Por muito tempo, o Líbano foi colônia francesa e anexada ao terri- tório da Síria. Por esse motivo, é muito comum ainda se ouvir a ex- pressão sírio-libanês. Após conquistar a sua independência, anação ficou bem dividida entre bairros de cristãos e muçulmanos. Desde a criação do Estado Israel, há constantes disputas religiosas, assim como fortes desafetos dos palestinos para com os israelenses. Com essas desavenças acontecendo, somado a força bélica de Israel, mi- lhares de palestinos tiveramde se refugiar, com grande parte dessa gente caindo em terras libanesas. Muitas dessas pessoas viviam em situações precárias, além de sofrer diversos preconceitos por sua origem. Em resposta a isso, os palestinos fizeram vários ataques contra seus inimigos. Daí em diante, começaram as chacinas entre as comunidades religiosas. Os momentos que ficarammarcados fo- ram: a invasão israelense no Rio Litani, ao sul do Líbano, com inten- ção de aniquilar a Organização de Libertação da Palestina (OLP); e as ofensivas de Israel, atacando Beirute e deixando milhares de óbitos para ambos os lados. O fim do conflito aconteceu depois de quinze anos de guerra, mediante o Acordo De Taif. Agora voltando a falar da viagem, nosso retorno foi bom. Fomos levados de carro até Trípoli, de lá pegamos novamente o ônibus
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