111 dido em um prédio em Trípoli. Houve uma invasão por parte do exército, desencadeando umconfronto entre o exército libanês e o grupo de militantes. Em resposta, aconteceu uma retaliação, com os membros de Fatah Al-Islam atacando um posto militar dentro do campo de refugiados Nahr Al-Bared, matando vários soldados enquanto dormiam. Assim, o campo se tornou o principal centro do conflito, que se estendeu por três meses de tiros, bombardeios, violência. Grande parte dos civis palestinos virou fugitivo, indo para o campo Beddawi ou então para Trípoli e Beirute. Foi conside- rado o pior combate desde o final da Guerra Civil do Líbano, ocor- rida dezesste anos antes desse conflito. Houve uma grande mobili- zação da ONU, também de toda a comunidade internacional, para controlar essa crise humanitária. Tudo acabou com muitas mor- tes, com o exército assumindo o total controle do local. Quando fui pesquisar sobre isso fiquei me lembrando da nossa tensa entrada no campo e de como qualquer desentendimento poderia resultar em algum desastre. Com uma atmosfera de tanta cólera, não era difícil os militares armados cometerem abuso de poder naquela calada da noite. Por sorte, tudo correu bem. Quarto e Último Dia O quarto dia, se não me engano, não foi o último, mas no restan- te dos dias não teve grandes novidades. Se permanecemos mais tempo no campo foram uns dois dias no máximo. Coloquei como o último porque parei com as minhas anotações nesse momento e como não teve nada de novo, decidi considerar assim. Nesse momento, começamos a nos organizar para o retorno a Bei- rute. A experiência tinha sidomuito interessante. Pensava sempre ser um privilégio estar a salvo depois de passar por esses lugares perigosos. Ainda tinha a Síria para encarar, mas preferia não re- fletir muito sobre isso.
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