119 cancelou nossa ida à Síria. Ou ela pode ler e pensar: “Achei que ele poderia desconfiar, mas não que ele escreveria sobre isso”. De qualquer maneira, é bempossível a embaixada ter realmente can- celado e eu estar apenas devaneando. Agradeçomuito a Sheila por ter sido tão corajosa em desbravar esses pedaços de mundo e ter aberto as portas para eu conhecer também. Vida que Segue Depois de recebida essa notícia, consegui dormir uma noite de sono semmais tantos anseios. Como a Sheila iria permanecer mais uma semana no Líbano, teria de me virar sozinho quando retor- nasse de volta ao Cairo. Agora andava menos agitado. Sentia já ter passado a parte mais perigosa da viagem. Consegui aproveitar os momentos de forma mais sossegada. Lembro de até meu bom humor voltar a ser mais frequente, fazendo mais piadas quando encontrava com amigos na casa do Spaz e do Exist ou quando saíamos comas amigas da Sheila. Apesar de ter assumido o risco de entrar na Síria, tinha muitas coisas a perder caso desse algum tipo de complicação. Isso me so- brecarregou durante bastante tempo, agora era como se tivesse tirado uma mala pesada das costas ou um calçado dos pés depois de um dia exaustivo. A essa altura o Alberto já havia voltado para o Rio de Janeiro; o Spaz tinha ido a Árabia Saudita realizar um serviço; o Exist estava se preparando para visitar os parentes no interior do Líbano; Pier- re iria voltar para a França em seguida; a Sheila iria com sua ami- ga de Porto Rico visitar um lugar no interior de Beirute; os amigos e amigas da embaixada seguiam seus trabalhos; os libaneses se- guiam seus destinos. Grande parte das pessoas conhecidas nessa

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