135 Chegando à Universidade, conheci o Omkar e o chileno Rikardo Santander, que seria meu grande companheiro de peregrinação e bom amigo de coração. Estava com bastante dificuldade de me co- municar com fluidez com os indianos, por causa de seus sotaques bem carregados. Tirando Omkar ou alguns indianos que falavam um inglês mais compreensível, o restante era de difícil comuni- cação. Anket eu entendia apenas metade do que dizia. Encontrar alguém como Rikardo, falando em espanhol, para mim foi um grande alívio. O Rikardo já estava há quase um mês por lá, já havia viajado por Jabalpur assim como algumas outras cidades do interior. Tinha ocorrido com ele o mesmo que aconteceu comigo: ele conheceu Omkar no festival de Curitiba, só que em um ano diferente da edição na qual participei. Depois de Rikardo conhecer Omkar no Brasil, ele investiu em pagar as passagens de forma independen- te para Índia, apenas com o auxílio de alguns gastos bancados pela Wicked Broz. Estávamos ambos, coincidentemente, na mes- ma situação. Agora nosso local de hospedagem era um pequeno quarto de es- tudante, dentro da Universidade, onde havia espaço apenas para duas camas, uma para mim, outra para o Rikardo. Banheiros e co- zinhas eram lugares de espaços comunitários. Como estávamos em um país completamente diferente para nós, não tínhamos o intuito de ficar trancados em uma quarto. Portanto, isso não foi um grande problema. A ideia era aproveitar ao máximo o tempo de nossa estadia. Já chegamos no embalo, descobrimos no mesmo dia da chegada estar rolando o IIT Techfest, um enorme festival de tecnologia na Universidade, no qual iríamos pintar um mural coletivo. A reali- zação do painel seria junto comMooz, Lobster e o Enemy, artistas urbanos da cidade de Mumbai. Todos os materiais já estavam or- ganizados, no dia seguinte pela manhã bem cedo já tínhamos que estar em frente ao muro para iniciar a pintura.

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