136 Despertamos ao amanhecer para dar tempo de se arrumar, tomar um café e chegar no horário marcado. A Universidade era imen- sa, algo faraônico, mas circulavam tuc tucs, que nos levavam aos lugares onde precisássemos. Aquele lugar não tinha um clima co- mum de estudantes universitários. Lembro de vacas e muitos ca- chorros circulando no meio do campus, de mulheres com trajes tradicionais lavando roupas ou panelas, de macacos fazendo alga- zarra, de gente muito pobre pedindo esmola. A impressão que tive dos lugares onde circulei na Índia é de não ter muitas regras pré-estabelecidas. Com tanta gente andando nos mesmos ambientes, parecia ser tudo muito espontâneo, às vezes sem o mínimo de logística. Quando chegamos estavam todos nos esperando, com os mate- riais e os andaimes preparados. Omkar era muito organizado e pragmático, as coisas funcionavam bem com ele. Tinha um sócio, o Zain Siddiqui, também bastante centrado, mas há pouco havia viajado para realizar negócios em Nova Delhi. Estavam começan- do a ampliar a agência para a capital, já com algumas demandas por lá. Zain e Omkar sempre brincavam que eram dos raros india- nos com senso de organização. Isso era uma sátira de como tudo nas cidades era caoticamente desordenado. O restante da tarde foi de pintura, parando às vezes para comer, ir ao banheiro ou trocar conversas com a organização ou com gente circulando por ali. Quando estou pintando gosto de ficar concen- trado, mas fazer intervenções em lugares públicos sempre exige um constante desvio de atenção. Paramos de pintar à noite, já bem tarde. Estávamos cansados. Fo- mos comer algo, depois tomar uma ducha para na sequência dor- mir. No dia seguinte tínhamos de estar de manhã cedo novamente no muro.

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