143 Pouca gente nos países da América sabe porque é pouco falado nos noticiários, mas a Índia é um dos lugares com muitos atenta- dos terroristas. O estereótipo damídia dámuita ênfase ao terroris- mo árabe, pela ânsia dos norte-americanos em criminalizar essa população, por causa de interesses econômicos. É lógico que são lugares complicados, com muitos conflitos políticos e religiosos, mas os americanos, com controle da mídia internacional, fazem questão de ficar martelando sempre apenas no Oriente Médio. En- quanto isso, há muita coisa acontecendo em outros lugares, sem que as informações cheguem até nós. Mesmo depois da independência da Índia contra os britânicos, ainda existe muita tensão entre hindus e muçulmanos. O Paquis- tão, antiga colônia indiana, foi criado justamente para acalmar os ânimos entre essa disputa religiosa. Portanto, apesar de tempos mais calmos, há outros de muita agitação. O pessoal com quem es- távamos convivendo emMumbai já tinha nos alertado sobre isso. Portanto, era preciso ficar sempre atento. Voltando ao acontecimento. Já mais tarde, depois de Rikardo xin- gar bastante os boludos raperos indianos, conseguimos finalmen- te dormir. Já era madrugada e estávamos ferrados no sono quan- do deu um estouro muito forte, como uma bomba potente, vindo da rua. Parecia bem perto da gente. Saltamos assustados da cama em um pulo só. Foi o tempo de es- cutar o estrondo e meio segundo depois já estávamos de pé, ca- minhando em direção à pequena janela para verificar o ocorrido. Não vimos nenhuma movimentação. Abrimos a porta cautelosa- mente, olhando com apreensão para todos os lados. Nada. Saímos para ver ao redor. Caminhamos até a esquina, onde tinha uma visão mais ampla da Universidade. Nada. Não tinha uma viva alma em nosso raio de visão. Fomos meio cautelosos até o bar onde tomávamos café da manhã. Era um local bem próximo, onde se reuniam os estudan-

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