144 tes que ficavam bebendo até mais tarde. Nada, ninguém, tudo fe- chado. Voltamos ainda meio apreensivos, olhando para todas as direções. Esperamos mais um pouco em frente ao nosso quarto. Nada. Apenas um silêncio e um marasmo tomavam conta do ar. Era madrugada, portanto só se ouvia alguns cães latindo ao lon- ge. Entramos para o quarto, trancando a porta e olhando alguns objetos que poderiam ser usados para defesa caso ocorresse algo. Voltamos para a cama encucados com o acontecimento. O Rikardo tinha uma mania de imitar os velhos argentinos rabu- gentos resmungando da vida. Ele dizia brincando que os velhos argentinos eramas pessoas que mais falavampalavrão e mais mal humoradas do mundo. Quando voltamos para deitar, ele começou a fazer graça com o ocorrido. Falava: “Malditos indianos boludos, hijos de puta, que no nos dejan dormir. Primero los putos raperos y ahora el hom- bre bomba a romper los huevos. Concha de tu madre!! ”. Depois, seguiu com a zoeira: “Por si fuera poco, los indianos ponen picante hasta en la leche, hasta en el juco, hasta en la puta madre “. E fina- lizou: “Raperos boludos, comida picante, hombre bomba, cabezita girando como un péon. Concha de tu madre!! ”. Era para voltarmos a dormir porque tínhamos de estar de manhã cedo no muro para seguir pintando, mas começamos a ter um acesso de riso. Ficamos mais de uma hora rindo daquela situação. Até chegamos a esquecer que poderia estar acontecendo algo pe- rigoso na rua. Fomos dormir bem mais tarde, depois de horas fa- zendo zoeira com a forma como um argentino velho agiria nessas circunstâncias. Passado esse acontecimento, ficou um silêncio implacável. Con- seguimos voltar a dormir já tarde da noite, depois de gastar tan- ta energia dando risada. Não tenho costume de ataques de risos, mas nessa noite cheguei a ficar com a barriga doendo. Essa gran- de diversão acabou sendo uma forma de acalmar nosso nervosis-

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