151 Ele dizia que a forma de ensino deveria se moldar à capacidade e personalidade de cada indivíduo e não ensinar conteúdos ma- çantes. Aprender deveria ser algo prazeroso, não uma obrigação desagradável ou um trauma na vida. São alguns conceitos básicos, que já foram levantados por muitos pedagogos, mas o estado não faz a mínima questão de investir nisso. As regras do mundo são feitas por poderosos, por isso, quanto menos a população pensar, mais fácil de ser manipulada. Na faculdade, já tinha lido algumas coisas da pedagogia falando sobre o aprendizado se ajustar à individualidade de cada aluno(a), mas eu ainda não havia refletido sobre tratar questões emocionais nas escolas. Não tinhame passado isso pela cabeça. É algo bastante lógico, simples, com um impacto muito forte no desenvolvimento de jovens. Saber como lidar com problemas emocionais te auxilia a não ficar sobrecarregado, consequentemente ter mais disposi- ção para praticar a capacidade intelectual. Porém, criar pessoas com pensamentos mais elaborados é o grande medo dos milioná- rios poderosos que comandam instituições. Ao final da conversa, pouco antes da retirada de Tenzin Gyatso, começou a subir no palco um mundaréu de devotos em volta do monge. Colocaram alguns tapetes no chão, se ajoelharam, come- çaram a fazer reverências. A ideia do Rikardo de dar o livro e voltar ao Chile com uma foto foi pelo ralo. Erauma aglomeraçãode gente, semconseguimos enxergar mais nada alémdaquelamultidão. Esperamos umpouco para ver se iria acalmar, mas depois percebemos que toda aquela função iria longe. Desistimos de esperar, nos retirando aos encontrões do local. O que não tinha de tuc tuc na ida, tinha de sobra na volta. Tinha para todos os lados, buzinando, com os motoristas gritando algo indefinido em hindi. Agarramos o primeiro que apareceu e volta- mos para o quarto para descansar. Apesar da decepção de voltar sem uma foto, foi ummomento e tanto para recordar.

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