153 ritmo de interior, com a vida indiana menos globalizada, mas não foi dessa vez a oportunidade. Apesar de mesmo nas grandes metrópoles ter muitas peculiaridades tradicionais, é nos peque- nos vilarejos onde se vê as formas de vida mais conservadas em relação aos costumes tradicionais. Agora fomos para uma residência onde moravam três amigos de adolescência de Omkar: Sarthak, que era músico e filósofo; Prith- viraj, que era artista visual; a namorada também artista de Prith- viraj, que não morava, mas que frequentava a casa; e outro rapaz da Economia, no qual não recordo o nome. O motivo de não lem- brar o nome é porque já no segundo dia eu e Rikardo apelidamos ele de Abraham Lincoln, por causa de sua semelhança com o pre- sidente norte-americano. Tinha até um corte de cabelo e barba parecidos, apenas com a única diferença de não ser tão magro. Colocamos até imagens dos dois, uma do lado da outra, para ver a aparência similar. Dali para frente era apenas de Lincoln ou de Abraham que o chamávamos. Apesar de apelidos pegarem normalmente quando a pessoa não gosta, ele gostou da brincadeira. Seu nome era complicado de pro- nunciar, portanto, a partir de agora era Abraham a forma como usávamos para nos comunicarmos com o nosso mais novo amigo. As outras pessoas trabalhavam durante o dia e víamos pouco. Abraham estava sem trabalho no momento. Então, foi a pessoa de maior convivência. Ele virou nosso ajudante pessoal, assim como nosso guia turístico. Virou nosso grande parceiro de viagem. O único problema com ele é que era extremamente ansioso. Lem- bro de nos primeiros dias irmos passear pela cidade e ele sair como um louco por todo canto. Sempre o perdíamos de vista. Isso porque caminhava dez vezes mais rápido do que a gente. Ele fa- lava com um cidadão na rua, falava com outro, entrava em todos os comércios. Dali a pouco o encontrávamos de novo com suor na testa, falando agitado.

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