154 Brincávamos falando: calma Lincoln, mesmo você sendo o presi- dente norte-americano, não vai conseguir resolver todos os pro- blemas do mundo. Ele se divertia bastante quando fazíamos esse tipo de zoação. Nessa viagem não fomos para trabalhar, a intenção era mais tirar uns dias de folga para, na volta, realizarmos outras pinturas no projeto Marol Art Village, organizado também pela agência Wi- cked Broz. Portanto, estávamos apenas turistando mesmo. Lá pelo segundo ou terceiro dia fomos visitar o estúdio do artista local Nilesh, uma espécie de Kobra indiano. Fazia desenhos realis- tas em grande escala, era a sensação do momento na Índia. Fomos eu, Rikardo e o nosso querido amigo Abraham Lincoln. Nesse dia pegamos um tuc tuc para nos levar primeiro até um templo hindu. Aqueles enormes templos super coloridos realmente pareciam massinhas de modelar, aquelas utilizadas nos colégios; não só pe- las cores, mas também pelas formas exóticas. Passeamos pelo interior do local, onde havia diversos fiéis ajoe- lhados, falando palavras indefinidas relacionadas à religião. No centro havia uma grande estátua de uma vaca, com mais várias pessoas em volta venerando aquela divindade. Fora isso, ali se en- contravam esculturas de deuses em forma de animais, colares de flores nas paredes, pequenas fontes, pessoas com roupas tradicio- nais e todo tipo de objetos de culto religioso. Aquele lugar sagra- do tinha uma atmosfera muito intensa, uma energia vibrando em uma frequência bem diferente da nossa. Passamos a manhã lá, quando saímos fomos encontrar Nilesh. Ele e mais dois amigos foram nos buscar de moto. Colocamos os ca- pacetes, e cada um de nós ia na garupa de um dos motoqueiros. Aqueles três veículos saíram riscando as ruas em velocidade, se atravessando por entre as pessoas e os carros. Foi uma experiên- cia interessante passear de moto pela cidade, mas deu um frio na barriga. Nunca confiei muito emmotos.

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