168 cena, tirou algumas fotos. O menino percebeu que estávamos re- gistrando e colocou o gato mais à mostra, depois deu um leve sor- riso. Mais alguns segundos e o motorista encontrou uma brecha entre os carros, assim seguiu adiante riscando o trânsito. Para mim, o clima de natal sempre me pareceu meio dramático, nunca gostei muito. Estar na Índia, sem árvores natalinas, luzes coloridas, propagandas apelativas e gente se entupindo nos co- mércios, foi bom. Aquela atmosfera de família tradicional feliz, vivendo bons momentos de companhia, fartura e presentes, tam- bém não me agrada. Portanto, apesar de estar abatido, em vários momentos me sentia bem por estar presenciando a vida fora do meu padrão. Ficava oscilando entre as preocupações e tentar des- frutar os últimos dias de viagem. Estava bem confuso a essa al- tura, cheio de indecisões, cheio de receios quanto ao meu futuro. Pensava que podia ter ficado em casa para evitar tanto sofrimen- to. Talvez ainda teria um relacionamento, trabalhos, estabilidade emocional, segurança. Apesar desses não serem meus principais valores, tinha momentos de vacilo, pensando se não precisava investir mais nisso para ser feliz a longo prazo. Se essas fossem minhas prioridades de vida, com certeza, tudo seria mais fácil. Só que o mundo tinha se expandido para mim e eu estava expandin- do junto com ele. Sol em Zênite Sol a pino é o momento que simboliza a metade do dia. É como se a Terra fosse uma maçã e a cortássemos ao meio; o sol estaria cen- tralizado onde foi feito o corte. É nessa localização que se encontra o ponto celeste de zênite. Zênite é o local posicionado exatamente na vista vertical de um observador que olha reto para cima; sendo também a maior distância entre o céu e a Terra. O sentido oposto é o ponto celeste de Nadir. Alguém olhando o sol ao meio-dia poderá

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