174 porque os muçulmanos param qualquer atividade em sua rotina para rezar sobre seus tapetes. Era muito comum ver cenas de pes- soas muito arrumadas, como para ir em um evento importante, mas usando sandálias. Não podemos esquecer que eu ainda estava de muleta nesse mo- mento. O local era lotado de turistas e religiosos, tendo dificulda- des até de achar lugar para sentar. Acabei optando por sentar no chão mesmo, para descansar um pouco. Seguimos percorrendo o templo até um pouco antes do sol cair. Tivemos que passar novamente por aquele corredor humano, que mais parecia a treva, reservada apenas para o castigo das almas dos pecadores. Não foi fácil terminar a viagem passando por essa experiência, mas a vida segue. Ainda fiquei mais uns dois ou três dias em Mumbai, antes do meu retorno a Porto Alegre, mas essa foi a última situação propícia para uma narrativa. Precisava se- guir em frente. A Vida e a Morte Apesar de nessa viagem eu ter passado apenas por uma situação que poderia ter tido desfeixo fatal, houve vários momentos mais sutis que poderiam ter provocado algum imprevisto complicado. Voltando para casa estava um pouco triste, por todos os motivos comentados antes, mas me sentia mais vivo do que nunca. Havia passado por muitas situações que, se vistas em filmes ou docu- mentários, jamais teriam o mesmo impacto. Agora as percepções tinham se expandido e precisava de um processo de entendimen- to do impacto desse estímulos emmim. Não tinha muito ânimo para desenhar ou escrever sobre o que passei durante esse período de peregrinação. Precisava apenas
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