179 Uma maçã em forma livro O nome Amaro vem do idioma quíchua peruano – Amaru, uma serpente mítica capaz de refletir a luz, de produzir sabedoria, de incitar revoluções e de transitar entre o mundo real e o mundo mágico. Neste livro, uma pessoa assim chamada nos oferece a ten- tadora maçã do desconhecido, acrescentando seu conhecimento contado de forma coloquial, humilde, observadora, meditativa, quase perplexa. Apresenta-se como um viajante em busca de pon- tes com a cultura islâmica, distorcida pelos nossos parcos saberes ocidentais. Ele reflete o tempo inteiro, inclusive, sobre a hermética realidade feminina dos países árabes, escondida por debaixo dos véus e das burcas. É um homem vindo do outro lado do planeta que não compreende, admite não compreender e, de forma quase instintiva, solicita, em contraponto, o olhar de quatro mulheres a quem admira: a fotógrafa Nair Benedicto, a poeta egípcia Amar Al Qady, as jornalistas Lelei Teixeira e Eliane Brum. Além delas, in- clui a mim, sua mãe. Já de saída esclareço: não tive privilégio algum sobre os demais leitores(as) deste livro. Cada página foi uma surpresa, porque nada soube sobre os conflitos, as dúvidas, as escolhas difíceis, os entraves burocráticos, e, por sorte, também desconhecia os riscos desta saga geográfica e interior vivida por Amaro. Algo intuí, é claro, mas pas- sei longe do alvo. Assim, tanto quanto qualquer pessoa, viajei sem mapas nem bússolas pelas páginas, ouvindo os cânticos religiosos voltados para Meca, sentindo os sabores e cheiros exóticos, cruzando commulhe- Rosina Duarte
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI4Mzk=