181 Sem pensar um segundo, lascou: “Não”. Só isso, “não”. E foi embora desenhar ou fazer alguma molecagem na rua descalça, em frente ao rio, ondemorávamos. Passado um tempo, semmais nemmenos, anunciou: “Agora tem uma matéria que eu gosto”. “Qual, Amaro?”. “Filosofia”. “E tu podes me explicar o que é Filosofia?” Olhou-me, sério: “É pensar o mundo”. Hoje tenho a sensação de que nascia ali não um filósofo, mas um pensador compulsivo e, quem sabe, o es- critor que acabo de descobrir.
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