021 eu não poderia fazer isso porque iriam encerrar com os pedidos de urgência. Pouco tempo antes da viagem, um amigo me comu- nicou que para entrar na Índia precisava de visto. Também tive de fazer às pressas. Tenho recordações da Sheila me pedir para levar comidas típicas brasileiras, como pão de queijo e tapioca. A tapioca me custou algumas desconfianças na escala de voos. Sempre achavam ser cocaína e ficava horas sendo checado e me explicando. Comprar dólares, comprar passagens, solicitar cartas convites para entra- da nos países, anotar os endereços e telefones dos lugares onde iria ficar, organizar materiais de trabalho, preparar malas. Dese- jar que o trem andasse nos trilhos para não descarrilhar. Os poucos dias antes da partida foram de excessiva agitação, es- tava inquieto pensando se realmente tinha tomado a decisão cor- reta. Acabava de terminar de ler um livro que o amigo argentino Joel Lousararian havia me dado no período em que se hospedou na minha casa. Tinha conhecido ele em Montevidéu e depois o recebi por um tempo no meu apartamento, em Porto Alegre. Na sua despedida, me presenteou com um grosso livro chamado “Vagabundeando en el Eje del Mal”, escrito por outro argentino, chamado Juan Villarino. Era um relato forte sobre os territórios mais temidos às margens do mar Mediterrâneo. Não era a leitura mais adequada nesse momento específico, mas o li completo. A Morte e o Oceano Apesar de andar tudo razoavelmente bem nesse período da mi- nha vida, havia pouco tinha passado pela crise dos trinta anos. Essa idade tinha me acertado em cheio. Andava bastante me- lancólico, com muitas dúvidas e reminiscências, reflexivo sobre as circunstâncias do meu entorno. Pensava que se a morte me

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