041 Se minha felicidade se baseia em negar sua dor Me equilibro na ponta dos pés e há medo nisso Como pode um corvo perfurar-me E chamar-me de efêmera Insignificante Por não ser o pai regular Ou a mãe delicada Não deveríamos sofrer entre nós Ou escutar ao outro Movidos apenas por surdo orgulho Essa interação humana O caminho que atravessa estradas E no qual damos voltas em círculos Sobre o espaço Para desencadear humilhação E raiva Para se sentir superior Através da imposição de uma doutrina Não são encontros intuitivos Faça-me uma pergunta para justificar Tudo que não é importante Ao invés de fazer leigas suposições De espinha dorsal ferida Com histórias com pano de fundo Das nossas tristes escolhas que nos trouxeram até aqui E como elas vazaram através das páginas Há também alegria nos problemas da nossa história Quando uma porta é aberta Para justificar uma ação incorreta De viver a margem De abandonar esse tempo Que por vezes é visto com nitidez Que por vezes segue rumo ao desconhecido Fogo contínuo Desta realidade onírica

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