049 caminho que percorria um trecho no deserto, iria até outros mo- numentos, finalizando em umas barracas de residência beduína, para fumar uma shisha e tomar um shay. Subimos nos animais com ajuda do nosso guia e iniciamos a par- tida. As trepidações, algumas vezes, causavam desconforto no pé machucado, mas não era nada insuportável desde que não forçasse demais o tornozelo. Começamos a nos distanciar das pirâmides, en- trando na parte mais desértica. Após andarmos em torno de uma hora, já estávamos em uma parte onde só havia dunas de areias, com plano de fundo dos monumentos em miniaturas. Ficava ima- ginando quantos povos nômades milenares fizeram essa travessia em tempos remotos. Salvo algumas situações na qual passavam al- guns outros turistas por nós, estávamos bastante isolados. De longe dava para ver uns pontinhos de civilização, fazendo pensar na sen- sação dos viajantes, depois de passar meses em meio ao deserto e finalmente encontrar algum sinal de vida distante. Seguimos mais algumas horas, nos dirigindo para um pequeno vilarejo próximo, onde se encontravam mais uns monumentos perdidos. Enquanto percorremos aquelas ruas de chão batido, ví- amos pessoas com vestimentas tradicionais, com jarros de água ou com cestos de verduras na cabeça e construções de adobe (fei- tas de terra e palha) bem típicas do Egito. Era uma região com bas- tante pobreza, com muita gente na rua. Parecia um lugar onde a modernização da globalização não havia chegado. O nosso guia fazia algumas explicações. A gente entendia apenas uns quarenta por cento, por ele ter um sotaque muito carregado, somado com diversos ruídos ao redor. Logo quando saímos desse povoado, passamos por um lugar que parecia ser outro bairro, um pouco mais modernizado, mas não muito. Lembro de passar por uma pichação que ficou muito acesa na minha memória, dizendo: “Graffiti in Egypt is dead” – “Graffiti no Egito está morto”. Era uma dura crítica à repressão da liberdade
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