059 te deixando cada vez mais agoniado. Naquela ocasião, sem nin- guém na casa, me deu um grande sentimento de desalento, de vazio, de solidão. Temperei o pranto. Saí da banheira, me sequei e desmaiei na cama. Labirinto Interior Na manhã seguinte, despertei com as rezas muçulmanas. Ainda me caía estranho acordar com aqueles sons indecifráveis e de- morava alguns segundos para me dar conta de onde estava. Te- nho essa sensação de ficar meio perdido logo cedo quando estou viajando em lugares distantes. Meu pé havia desinchado. Mesmo assim, quando mexia, ainda doía. Preparei algo para comer. Após a refeição, sentei no sofá da sacada com vista para a rua, observando as primeiras movimen- tações da cidade pela manhã. Tomei mais um anti-inflamatório, seguido de uma massagem com a pomada de arnica. As preocu- pações estavam querendo voltar, entretanto, agora com a cabeça mais descansada, podia raciocinar melhor. Seguia sentindo dor, mas nada excessivo. Isso me fez intuir não haver uma quebradura do osso ou rompimento de tendão. Sen- do assim, o único remédio era repousar sem deixar a contusão inflamar. Em seguida, o Alberto e a Sheila acordaram. Tomaram café, trocamos algumas conversas sobre a situação. Expliquei es- tar precisando ficar um tempo com o pé enfaixado, me chapando de anti-inflamatório e repousando. Inicialmente pensei em comprar mais uma muleta para não des- perdiçar meus dias no Egito, mas depois tive convicção de que o melhor a fazer era um intensivo de repouso. Seguir andando para lá e para cá, iria ter uma recuperação lenta; ainda com ris-

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