063 hora. Ficar com sequelas, não era um objetivo – estava disciplina- do a ser rígido e estava pagando um preço alto por isso. Segurei meus impulsos de sair por mais uns dias, até o momento de ir até Dahab. A Sheila já conhecia a cidade, portanto, iria ficar na casa de umas amigas no Cairo. Iria eu, Alberto e os brasileiros que co- nhecemos na Bienal do Cairo: Mônica, Vinicius e Alexandre. Fi- caríamos na casa do egípcio Moataz, um dos diretores da bienal. Todos eles já estavam lá, apenas esperando eu e o Alberto chegar. Era um deslocamento longo, de aproximadamente quinhentos e cinquenta quilômetros, entre nove e onze horas em um ônibus pinga-pinga. Iríamos pegar estrada na tarde seguinte. Andava meio apreensivo de deixar o pé constantemente para baixo du- rante o itinerário, podendo voltar a inchar ou doer. Se não tives- se ninguém na minha frente, poderia levantar o pé no apoio de braço do banco dianteiro. Porém, na falta disso, não teria outra alternativa a não ser deixar a perna baixa. Pensava em duas semanas para estar curado da lesão. Com certe- za me sentia bemmelhor, mas sabia ainda não estar cem por cen- to. Hesitei algumas vezes, analisando se era realmente uma boa ideia ir. Conclui não ser uma escolha. Tinha apenas duas opções: ir ou seguir sentado no sofá da sacada. Se continuasse trancado naquele apartamento mais tempo ia ter um colapso mental. Ar- rumei as malas, me preparei para botar o pé na estrada – mesmo ele ainda não estando muito contente para novas aventuras.
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