062 zeres de forma simultânea. Eram reflexões interessantes, mas ficar mirabolando sobre as dores era difícil demais. Foi um bom exercício de introspecção, de observação, de paciência, porém, estava começando a me sentir muito solitário naquela expedi- ção, com demasiadas angústias. Completando uma semana e uns dias, começou a me perturbar aquela experiência de introver- são, dirigida demais aos meus labirintos interiores. Tinha medo de me perder e não achar a saída. Cheguei à conclusão que necessitava sair para não acabar en- louquecendo. Na manhã seguinte, iniciei algumas caminhadas curtas, de muleta, pelas redondezas, mas ainda passava grande parte das horas sentado no sofá da sacada. Se esses tais aconte- cimentos fossem no conforto de minha casa, com certeza, não seria tão dramático; mas estava com as percepções muito aguça- das, por causa de tudo que estava vivendo. Já estava quase duas semanas nesse estado de prostração, bas- tante abatido. Foi então que um amigo da Sheila chegou com uma espécie de cachimbo de vidro e um alucinógeno de DMT. É uma substância que está presente, em pouca dosagem, em todos os humanos, animais e plantas, o princípio ativo da ayahuasca. Dizem também que a liberamos principalmente no momento de nascer e no momento de morrer. Passei uma tarde longe da rea- lidade, assim encontrei outras abstrações para me ocupar. Na continuidade disso, consegui manter os pensamentos mais positivos, em outras direções não tão dramáticas. Foi uma ação que me ajudou a distensionar um pouco o stress emocional, vol- tando a fazer minhas atividades de leitura, de desenho. Uns dias depois disso, começamos a preparar o percurso que faríamos para Dahab, uma cidade ao sul do Egito, famosa por ter praias paradisíacas. Meu pé já estava bem melhor, com pouca dor, sem nada de in- chaço. Entretanto, não queria, de jeito nenhum, forçar antes da

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