075 passaríamos a noite. Depois de tudo combinado, despachamos as malas, fomos fazer um lanche no boteco ali perto. Já estava caindo o sol, em seguida fomos descansar. Não preciso lembrar que aqui a influência da luz artificial das ci- dades está muito distante. Portanto, quando saí da cabana, depois de dormir umas horas, vi aquele céu salpicado de infinitas estre- las, com a via láctea riscando o céu. Era um fenômeno modesta- mente espetacular. Nos reunimos todos e ficamos horas filosofan- do e contando histórias sobre mistérios celestes. Na manhã seguinte, a visão da Arábia Saudita, do outro lado da costa, produzia a impressão de estar a poucos metros de distância. Dava para ver aquela sequência demontanhas rochosas bempróxi- mas, com a impressão de ser possível chegar nadando. Havia também muitos palestinos que vinham para praticar Kite- surf, o esporte comuma prancha que desliza na água através do su- porte de uma espécie de paraquedas. Fiquei um bom tempo assis- tindo eles praticarem. Os palestinos sofrem muito preconceito por parte dos árabes nas grandes cidades e, segundo eles, aquele era um lugar mais sossegado. Conhecemos um egípcio, funcionário do único bar existente no lo- cal, de cabelo loiro, cacheado e comprido, com olhos azuis. Era o típico surfista clichê, provavelmente descendente de europeus. Seu bordão clássico se repetia de dez em dez minutos, sendo sua carac- terística singular: “If you wish you see the jellyfish, if you try you will never die”, Traduzido perde a rima mas seria: “se você deseja você verá uma água-viva, se tentar você não irá morrer”. Passamos mais uma noite de céu estrelado, jantamos na rua, com diversas pessoas tocando músicas, à luz de uma fogueira. Foram momentos agradáveis, em que consegui dispersar um pouco dos problemas pessoais. Na volta de Dahab, iríamos começar a nos pre- parar para ir ao Líbano e à Síria, dois lugares bem perigosos. Não queria pensar muito sobre isso para não estragar o momento.

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