078 Tivemos diversas tarefas de câmbio de dinheiro, envio de docu- mentos, arrumação de malas, preparativos de trabalhos, troca de mensagens com pessoas locais, organizações para hospedagem. Fomos ao aeroporto rumo àquela importante etapa da viagem. Chegava a hora de encarar os medos, de enfrentar os territórios mais conflituosos. Frio na Espinha Agora, com a proximidade de chegar aos países do Oriente Médio, me subia um frio na espinha. Era jovem, saudável, com a carreira dos sonhos em ascensão e esse desafio era de fato perigoso. A Shei- la era bastante altiva, não se preocupava tanto, já tinha passado pela Síria em situações anteriores. Ela nos dizia ser razoavelmen- te tranquilo, mas alertava existir, com certeza, lá os seus riscos. Alberto estava com a passagem de volta para alguns dias antes de irmos a Damasco, na Síria, no entanto, nos acompanharia no cam- po de refugiados, na fronteira do país em guerra. Pegamos umuber quarta-feira de manhã para ir emdireção ao local onde sairia nosso avião. No aeroporto, estava capengando de mu- leta, ainda com uma faixa no tornozelo, então, logo na entrada, fui abordado por um funcionário me oferecendo uma cadeira de rodas. Dali por dianteme trataramàsmilmaravilhas. Fui levadodeumlado para outro por diversos funcionários. Quando chegava emumdeter- minado ponto, uma pessoa passava o rádio para outra que vinhame buscar para me levar nos locais: check in, revistas, apresentação de passaporteedespachodebagagens.Nãodeimaisdevintepassosden- tro daquele aeroporto, o restante foi todo na cadeira de rodas. Sem contar que não precisar entrar nas filas indianas gigantes. Sempre quando havia aglomeração de pessoas esperando, um funcionário me levava direto para o começo da fila. Cheguei a tentar argumentar para esperar junto com a Sheila e o Alberto, mas não me deixaram.
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