077 dua apenas por questões burocrática parecia completamente desnecessária pois, com certeza, iria mudar a maioria daqueles planejamentos de acordo com o andar da carruagem, porém, era obrigatório enviar tudo bem explicado. Uma vez emuma participação no festival de Curitiba, conheci dois amigos artistas libaneses: Spaz e Exist. Nossa primeira etapa se- ria em Beirute e eles moravam na cidade. Sendo assim, mandei mensagem para ver a possibilidade de receberem eu e o Alberto. Ficaram contentes e toparamna hora nos hospedar. A Sheila tinha uma amiga da Costa Rica morando também na capital, portanto, havia lugar para ela ficar. Spaz e Exist erampseudônimos artísticos. O nome real de Spaz era Raydan Zebian e o nome real de Exist nunca foi descoberto; por ele ser conhecido por todos assim, não tendo o mínimo interesse em revelar o seu nome de batismo. Com tantos afazeres, não tive muito como me ocupar das minhas preocupações pessoais. Fora aquelas duas primeiras semanas com pé torcido, quando fiquei mais angustiado, não consegui mais dis- ponibilidade para pensar nos meus problemas. Eram tantas no- vidades, tantas agitações, que andava meio anestesiado, jogando minhas aflições para mais tarde. De preferência, queria que essas inquietações tivessemespaço apenas quando estivesse naminha ci- dade, mas elas iriam retornar bem antes do imaginado, ainda bem distante de casa. Meu pé estava quase sem dor, portanto já apoiava de leve na hora de caminhar. Só ainda não sentia ser a oportunidade adequada de começar a forçar novamente; resolvi seguir minhas intuições. Lembrei, a partir desse momento, de a muleta ser indispensável, porque precisaria caminhar outros longos trajetos. Não seria mais as curtas locomoções como em Dahab ou Blue Lagoon. Não podia extraviar de jeito nenhum minha muleta; agora ela seria minha fiel companheira.

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