087 isso durante os ocorridos da pandemia de covid. Assim, que até bateu uma saudade de estar novamente entre pessoas, conside- rando que já estou mais de um ano trancado dentro de uma casa, apenas com poucas visitas a pessoas mais próximas. Correu tudo certo, a exposição foi um sucesso. Por sorte do destino não aconteceu nenhum incidente desagradável, daqueles em que o organizador se desentende com os artistas ou algum imprevisto que acaba botando água fria nas atividades. Lembrei de quando estávamos com belas expectativas de fazer uma grande exposição na mansão de um político do Cairo e o crápula do Bolsonaro tro- cou a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, estragando todos os nossos planos – assim como também com a relação dos brasileiros com os árabes. Primavera Árabe Já passava mais de uma semana da nossa chegada ao Líbano quan- do entrou em contato com a gente a Christina, a artista alemã, e o Ibrahim, o árabe criador do enorme dinossauro de metal. Ambos haviamse conhecido na Bienal do Cairo, agora indo rumo a Beirute. Quando chegaram, descobrimos ter ali florido uma relação afetiva. Christina, separada, comduas filhas; Ibrahim, solteirão boêmio, da- queles que gostam de curtir a vida desinibida. Os dois haviam se entendido nas suas andanças da vida, agora desfrutando juntos. Ele tinha uma grande cabeleira toda despenteada, mas no nomomen- to andava com o cabelo cortado curto e bem penteado. Além disso, na bienal andava com roupas bem despojadas, mas agora aparecia com uma camisa social, uma calça jeans e sapatos pretos reluzen- tes. Christina tinha colocado ele na linha. Não pareciamestar viven- do uma relação tensa por causa desses fatores, mas, vez ou outra, Christina prendia umolhar firme para Ibrahim, que respondia com uma vista de canto de olho e fingia não ser com ele.

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