088 Certo dia fomos passear juntos e comentamos estar indo dentro de uma semana para o campo de refugiados ao norte do Líbano. Ambos ficaram bem interessados, mas acabou não sendo possível por restrições da embaixada. Uns dias depois, fomos à orla da praia porque a Christina que- ria me entrevistar para um site que ela estava fazendo, no qual conversava com diversos artistas de várias partes do mundo. Na Bienal ela já me comentado de fazer comigo, porém, acabou não rolando. Agora queria tentar novamente. OAlberto tinha ido fazer algo com Spaz, Exist e o Pierre, portanto, fomos à praia eu, Sheila, Christina e o Ibrahim. Comemos alguma coisa em um restauran- te, depois fomos fazer a entrevista em uma praia escondida, cheia de pequenas pedras arredondadas, umas grudadas nas outras, formando um grande tapete de pedras naquela orla inóspita. Era uma beira de praia diferente. Nessa ocasião, mais confiante em relação ao pé, caminhei bas- tante. Ainda andava com a muleta e ia me apoiando bem de leve no chão para não cansar tanto nas andanças. Quando voltei para casa, não senti dor, mas percebi um incômodo, que me alertava para ser mais prudente nas caminhadas. Comprei uns anti-infla- matórios e uma pomada de arnica. Apliquei no tornozelo para não ter perigo de inflamação. Daí em diante, decidi forçar só quando voltasse para minha cidade. Fiquei receoso de ter que enfrentar novamente aquela situação de ficar trancado dentro de casa. Ametáfora para Primavera Árabe foi sobre a relação “florida” que ocorreu entre Ibrahim e Christina, mas seria interessante falar so- bre essa revolução tão simbólica no mundo árabe – para não dei- xar os(as) espectadores(as) com curiosidade sobre essa questão. A Primavera Árabe iniciou comumvendedor de frutas da Tunísia. Ele se chamavaMohamed Bouazizi, tinha 26 anos e era ambulante na pequena cidade Sid Bouzid. Por não obter licença para as ven- das, era constantemente abordado pela policia local. Em 2010, um
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