094 mas não conseguia controlar as emoções, atropelando em algumas situações. Depois de gastar toda a sua energia foi dormir, então con- seguimos conversar empaz. Seriam três horas de viagem, divididas mais ou menos em três partes: na primeira, Mina se expressando demasiado; na segun- da, nós falando sobre as ações que faríamos; e na terceira, cada um no seu canto, dormindo ou admirando as belas paisagens montanhosas. Depois de o ônibus deixar a parte mais urbana, havia uma incrível sequência de penhascos gigantes, parecidos com belos quadros emmovimento nas nossas janelas. Assim foi se estendendo quase até a nossa parada final, em Trípoli. Nessa região, por algum fenô- meno geográfico, surgiu essa formação rochosa exuberante. Chegamos a Trípoli pouco depois do meio-dia. Fomos buscar um local para almoçar e passeamos um pouco pela cidade. O local tinha uma cara de vilarejo medieval, com ruas estreitas, cheia de varais suspensos nos prédios, que quase encobriam o céu quan- do se caminhava por essas vielas. Havia caminhos mais largos, mas nesses trajetos delgados deveriam passar no máximo duas pessoas apertadas. Aqui, diferente de Beirute, tinham muitas mulheres de burca, com panos tapando os rostos. Ruas lotadas de gente, com diversos comércios de rua. Logo em seguida, ha- veria um encontro com algumas pessoas locais que trabalhavam no campo de refugiados para nos orientar melhor quais seriam nossos próximos passos. A Sheila estava bastante ocupada falando por mensagem ou por ligação com uma mulher encarregada da nossa entrada no cam- po. Parecia estar havendo uma tensão nessa comunicação, com a Sheila se mostrando apreensiva. Perguntamos algumas vezes se havia algum problema, mas ela desconversava dizendo estar tudo certo. Não tínhamos o mínimo de noção do grande proble- ma que estava rolando, só iríamos descobrir bem mais tarde.
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