093 roportos e alfândegas quando sabem a origem árabe dos viajantes. Essa forma de informação globalizada e sensacionalista só mostra a parte violenta, fazendo parecer uma localização hostil para turistas estrangeiros. Por esse motivo, há uma grande carência, misturada com curiosidade, quando recebemgente vinda de outras nações. Iríamos pegar o ônibus até Trípoli logo após o café da manhã. Eu e o Alberto despertamos bem cedo, comemos algo, preparamos uns lan- ches para o meio do caminho. A ideia era passar apenas uns quatro ou cinco dias no campo de refugiados. Por esse motivo, deixamos as malas mais pesadas na casa dos nossos amigos porque voltaríamos para cá depois dessa expedição. Finalizado o café da manhã, saímos para pegar umuber e encontrar Sheila eMina no centro de Beirute, onde tomaríamos o nosso ônibus. Chegando lá, eles ainda não haviam chegado. Demos uma volta no centro para gastar o tempo. Logo em seguida apareceram. Pouco de- pois embarcamos no pequeno automóvel apertado. Na verdade, era ummicro-ônibus, uma espécie de lotação, toda abarrotada de gente, cheia de malas. A nossa sorte foi chegar cedo, conseguindo nos aco- modar umpoucomais confortáveis no fundão. Dali em diante, esperamos até lotar e partimos. Conseguimos sentar um do lado do outro naquele banco único, localizado no último as- sento traseiro. Isso foi ótimo, porque tivemos a chance de planejar melhor os detalhes de como seria quando chegássemos. A Sheila, por andar envolvida emoutras funções anteriormente, não tinha conseguido parar para conversar mais profundamente sobre como seriamas atividades no campo. Durante o trajeto, tambémcon- seguimos conhecermelhor nosso companheirode viagem– o egípcio Mina – e alinhar alguns planejamentos. Mina era bem novo, deveria ter uns dezoito ou dezenove anos, esta- va bastante excitado com essa experiência. Por esse motivo, falava demasiado, tornando-se um pouco chato às vezes. Era boa pessoa,
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