096 mento, dispensamos os antigos motoristas que nos acompanhavam. A comunicação com a mulher responsável passou a ser feita com os palestinos junto com a gente. Eles nos levariam até o local desejado. Agora as fortes emoções iriam começar. Fortes Emoções Já estava caindo a noite, estávamos perambulando de carro na- quele crepúsculo de fim de tarde, ainda rodando em diversos lo- cais antes de nos direcionar ao campo Nahr al-Bared, uns quaren- ta minutos ao norte. O inglês dos palestinos era bastante básico, sendo assim, novamente tivemos dificuldade de entender o ocor- rido nas negociações. Passamos horas indo a diversos lugares des- conhecidos. Não tínhamos a mínima noção da situação, apenas es- perávamos dentro do automóvel enquanto os palestinos desciam para resolver alguns ajustes finais antes da nossa entrada. Já era bem tarde quando decidiram iniciar a missão clandestina. Iam o motorista e o carona, ambos palestinos, na frente; no ban- co de trás, Alberto, Sheila e eu. A mulher responsável, no telefo- ne, estava extremamente estressada com todos os acontecimen- tos, principalmente por não termos conseguido entrar no campo de sírios. Com frequência, falava com a Sheila de forma bastante ríspida. O mesmo acontecia com as conversas por telefone com os nossos acompanhantes palestinos. Dava para perceber que ela estava resolvendo milhões de coisas ao mesmo tempo, sobrecar- rega emocionalmente, refletindo na nossa comunicação ruidosa. A Sheila falou poucas vezes com ela, portanto, quem recebeu as maiores mijadas foram os palestinos. Percebi o motorista bastan- te incomodado com essas circunstâncias. Esse campo de refugiados é gigante, com milhares de moradores vindos da Palestina. Portanto, havia múltiplos portões de acesso
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