097 diferentes, todos com guardas militares armados cuidando de cada entrada. Chegava o momento de iniciar nossa primeira ten- tativa. Havia um clima de tensão, tanto de nossa parte quanto da parte de nossos acompanhantes. Quando nos aproximamos da primeira entrada, os palestinos no carro pediram para gente colo- car capuz ou fingir estar dormindo. Tenho a impressão que toda a nossa espera, nessa primeira entrada, foi para esperar a escuridão da noite, o que tornoumais difícil identificar nossa nacionalidade. Se nos descobrissem como estrangeiros, sem os papéis de permis- são de entrada, com certeza não nos deixariam entrar. A Sheila é descendente de italianos, com cabelo loiro e olhos azuis; o Alberto carioca, com pele cheia de melanina e uns drea- ds quase até a cintura; eu ainda era o único que podia disfarçar um pouco, por ter descendência de mouros, com alguns traços árabes. Com esse panorama, parecia estar fadado ao fracasso a nossa missão. Perto da chegada, o Alberto colocou o cabelo para dentro do casaco e na parte de cima da cabeça botou um capuz; a Sheila colocou uma touca e fingiu estar dormindo; eu fingi o mesmo. Agora era contar com a sorte. Se desse tudo errado, não sabíamos nem se aquela altura ainda haveria ônibus para o nos- so retorno. Caso não tivesse, não saberia nem aonde dormir. O cenário estava complicado, mas com a agitação nem paramos para pensar sobre tudo isso. Deveriam ser umas nove da noite quando chegamos ao portão de entrada, com três militares com roupas e armas de guerra esperando para a vistoria. Começou a conversa em árabe, du- rando poucos minutos. Na sequência, colocaram a lanterna nos nossos rostos no banco de trás. Pediram passaporte e entrega- mos. Seguiu-se o diálogo, finalizando com os guardas desco- brindo não termos a autorização prévia para entrar. Nos man- daram embora. Agora começava a piorar, com o motorista cada vez mais nervoso com toda a situação. Ele fumava um cigarro atrás do outro e di-

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