0101 tem cerca de setenta anos, com milhares de pessoas ali nascidas que, provavelmente, irão morrer sem conhecer seu próprio país. A população é de aproximadamente quarentamil palestinos. Essa re- gião é um limbo de indefinição, onde uns dizem não ser considera- do país nenhum, outros dizem ser Líbano e alguns falam ser Síria. Oficialmente acho que é considerado território norte libanês, sendo sua localização alguns quilômetros acima de Trípoli. O longo perí- odo desde a fundação, somado à grande quantidade de gente, são os motivos de tantas construções, com comércios, casas e pequenos prédios. O campo sírio era bemmais recente, com burocracias ain- da pendentes quanto à permanência dos moradores refugiados. Apesar da população estar há tanto tempo sem conseguir voltar à sua nação, ainda havia esperança para muita gente. Um cartunista palestino assassinado, chamado Naji Al-Ali, tem como sua principal personagemHandala, uma criança sempre representada de costas, como sinal de esperança de retornar ao seu país. Naji relatou certa vez: “A Handala é minha assinatura, todos me perguntam sobre ela nos lugares onde vou. Eu criei no Golfo. O nome da criança é Han- dala, e ela prometeu se manter fiel às suas verdades. Eu a desenhei como uma criança que não é bonita. Handala não é bem nutrida, tranquilinha ou feliz como qualquer outra criança. É alguém de pés descalços, como amolecada do campo. Seus cabelos são afiados como ouriços, semelhante a espinhos, usados como uma arma. A sua imagemme protege de cometer erros. Mesmo sendo uma crian- ça durona e fria, é quente como uma chama. Suasmãos estão cruza- das nas costas como um sinal de rejeição, em um tempo onde as so- luções apresentadas não são de fato soluções. Handala nasceu com dez anos e sempre terá essa idade. Foi a idade que deixei a minha terra natal. Quando Handala retornar à Palestina ainda terá dez anos, e, a partir daí, começará a crescer de novo. As leis da natureza não se aplicama ela. É uma criança única. E tudo voltará ao normal quando nossa terra natal voltar a ser nossa de fato.” Depois do café da manhã, fomos visitar uma escola onde eu faria uma pintura no muro externo. O muro de tijolos que ia pintar es-

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