0100 Quando chegamos, fomos primeiro à residência das pessoas que estavam nos levando de carro. Disseram para esperar, para não sair do automóvel porque poderia levantar alguma suspeita. Já era tarde da noite. Suspenso no ar havia um cenário de espionagem secreta, ainda com uma certa tensão pairando entre nós. Espera- mos, para logo em seguida voltarem e dizerem para entrarmos na sua casa. Entramos, fomos recebidos pela mulher do motorista, apresentada a nós junto com um primo. Depois, nos direcionaram a uma sala de estar. Nos deramuns salgados para comer e um chá, em cima de um pano cheio de arabescos dourados. Devoramos ra- pidamente por estarmos muitas horas sem comer nada. Após isso, ficamos ali esperando enquanto se discutia na cozinha, em árabe, qual seria nosso próximo destino. Foram feitas mais al- gumas ligações para a mulher responsável, agora não tão caloro- sas, mas acompanhadas de muitos cigarros para acalmar o nosso agitado amigo, apesar de no momento se encontrar mais sossega- do. Por fim, nos disseram que iríamos para casa de um primo de- les, que morava sozinho e nos receberia. Voltamos para o carro, nos direcionando para lá. Chegando, fomos recepcionados com uma janta por nosso anfi- trião, que nos recepcionou de forma muito amigável. Uma pena eu não ter anotado como ele se chamava, era um nome bem di- ferente e não guardei na memória. Com esse alvoroço todo, aca- bei não conseguindo colocar minha agenda em dia. Terminamos a janta, fumamos uma shisha, proseamos um pouco e, finalmente, uma cama para descansar. Na manhã seguinte, quando despertamos, fomos tomar café. Nosso hospedeiro explicou mais detalhes sobre o lugar onde es- távamos agora. Outras informações se revelaram no decorrer de nossa estadia. Nahr al-Bared é um campo de refugiados fundado em 1949, um ano depois da criação do Estado de Israel. Sendo assim, o local já

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