Revista Palavra 11
palavra. sesc. literatura em revista. 2022. damental da vida cultural de todos os brasi- leiros, desde a infância, são caminhos que ne- cessitamos trilhar se pretendemos formar um país de leitores. Os clubes de leitura têm se espalhado pelo país, tanto no formato mais tradicional de reuniões presenciais quanto nos encontros on-line. Como você vê essa dinâmica hoje? [ TG ] É unanimidade: quem participa de clubes de leitura sempre sai das discussões sentindo que ganhou alguma coisa. Por sorte, esse senti- mento não deixou de fazer parte dos encontros on-line, que se tornaram ainda mais plurais e enriquecedores com a oportunidade de acesso remoto. Tenho uma perspectiva muito positiva dessa movimentação dos clubes de leitura pelo país. Para mim, não há nada mais animador do que a visão de várias pessoas reunidas por con- ta da literatura e seus efeitos. Espero que tais iniciativas sigam se multiplicando por todos os cantos. A literatura e os leitores só têma ganhar com elas. Vimos nos últimos anos uma grande procura por oficinas de criação literária em todo o país. A que você acha que se deve esse fenômeno? [ TG ] A dinâmica das oficinas me parece muito vantajosa à criação literária. Mais do que meros laboratórios, o que já seria bacana, vejo-as como espaços seguros para tentativas e erros, espa- ços de troca, de partilha da experiência que é a matéria das narrativas. Acredito que a procura acontece porque essas iniciativas atendem a Tamy Ghannam página 010 Tenho uma perspectiva muito positiva dessa movimentação dos clubes de leitura pelo país. Precisamos da literatura para pensar novas formas de estar nomundo e de construir futuros emque as narrativas ainda possam ser compartilhadas. Precisamos dela para preservar a nossa humanidade. uma demanda primordial da literatura, que é a de estar em contato direto com o outro, um outro interessado pelo fazer literário, comquem se pode aprender sobre os processos que confi- guram a literatura e assim conquistar certa au- tonomia, alguma confiança quanto ao próprio trabalho. Nas últimas duas décadas, os espaços de veiculação de livros mudarammuito. Enquanto revistas, jornais e outros canais impressos quase desapareceram, surgiram blogs, booktubers, tiktokers etc., que se tornaram os grandes canais de divulgação, especialmente das editoras de médio e grande portes. Nesse contexto, quais são os prós e os contras para uma efetiva mediação da literatura brasileira contemporânea? [ TG ] Talvez a parte mais desafiadora seja dar a cara a tapa para analisar obras que ainda não passaram pelo crivo do tempo, pelas fa- ses de recepção do público, pela adesão ao cânone. É muito mais simples falar sobre li- vros e autores lidos e recomendados há anos, que em alguma medida já estão consagrados (ou são detestados) no imaginário literário. Mas, ao mesmo tempo que servir de ponte
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