Revista Palavra 11

palavra. sesc. literatura em revista. 2022. prêmios, os leitores e o reconhecimento interna- cional só aconteceram nos anos 80 (demoraram a chegar, mas depois vieram aos montes). Em 1983 o escritor, finalmente, conheceu o Bra- sil. A partir dessa primeira viagem, retornou dezenas de vezes. Nos diários que escreveu, os Cadernos de Lanzarote , deixou registro de algu- mas dessas visitas, da relação que estabeleceu com o país e das amizades que criou. Nunca, no entanto, fez referência àquela ideia que alguma vez teve de emigrar. Que vida teria construído esse José Saramago no Brasil? Escreveria livros? Sobre quais assun- tos? Teria leitores? Seria um escritor respeita- do e galardoado? São perguntas sem respostas, mas é difícil imaginar que outra vida terminaria sendo tão plena como a que esse José Saramago que permaneceu em Portugal foi capaz de cons- truir. Morreu aos 87 anos, na casa que levantou graças aos livros que escreveu e na companhia da mulher que tanto amou. A sua morte foi sen- tida por todo o mundo e a sua obra, até hoje, é lida e aclamada. Inclusive no Brasil, país para onde um dia pensou em se mudar. Ricardo Viel nasceu em São Paulo/SP. É mestre pela Universida- de de Salamanca (Espanha) e atualmente reside em Lisboa, como diretor de comunicação da Fundação José Saramago. É um dos organizadores do livro Com o mar por meio – uma amizade em car- tas , volume que reúne a correspondência entre José Saramago e Jorge Amado. É autor do livro Um país levantado em alegria , sobre a atribuição do Prêmio Nobel a José Saramago. Em 2020 publicou no Brasil o livro de entrevistas Sobre a ficção - conversas com ro- mancistas . Ricardo Viel página 021 © Alfredo Brant “ Estou a encarar francamente a hipótese de ir para o Brasil, a busca de vida melhor, nao de melhor vida.

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